quinta-feira, dezembro 27, 2007

o meu sonho

Ah! Sabe bem ver este lindo nascer do sol ao fim de uma noite tão trabalhosa. Deitado na minha rede amarela, que a minha mana me trouxe do Brasil, estendida no meu alpendre de madeira mesmo virado para esta praia de areia branca. A contemplar tanta beleza junta, sol, praia e mar, os meus olhos começam a pesar e a cerrar.
Adormeço. Um “bip”, um tanto ou quanto irritante, não me deixa continuar a dormir… acordo. Cá estou eu, de volta à vida universitária, e à minha rotina de monotonia…
Bebi demais, a noite passada foi diversão mas agora custa, dói-me a cabeça e pesa. Não me quero levantar, muito menos sair da cama, mas tem de ser, aulas e trabalhos, compromissos e obrigações forçam-me a tal. Banho de água fria, pequeno almoço e rumo à universidade. Ponho-me a pensar e noto que falta algo, o caminho tá a ser custoso de fazer um tanto ou quanto de “ambiente pesado” por assim dizer… música é claro, faltava-me a música. Ponho os phones nos ouvidos e tudo passa, uma redoma de cores, cheia de paz e sossego protege-me de tudo o resto. Começo a deambular por aí sem preocupações nem obrigações (tudo graças à música, Jarabe de Palo está claro). Cheguei, edifícios grandes e populosos, é aqui sem dúvida.
Aulas, cá vou eu (dor de cabeça, ainda é da ressaca). Espero pelo prof, ele chega e entramos, quero ficar o mais longe possível para não se ver esta fronha ressacada, mas não dá. Somo meia dúzia de alunos consigo ficar na segunda fila, melhor que nada, sempre tenho alguém que me tape. “Blá, blá, blá. Blá, blá, blá.” é a única coisa que entendo e quando dou por mim já nem ouço nada. Nem a aula acabou, nem o prof se calou e eu também não estou distraído… digamos que ausente, sim ausente é a palavra apropriada (ainda penso no meu sonho). Eu olho em frente como que se atento estivesse:
- cotovelo em cima da mesa? Comfirma;
- palma da mão aberta? Sim;
- queixo apoiado na mão? Afirmativo;
- olhos abertos?...;
- olhos abertos? Negativo.
Adormeci. Bah, telemóvel toca, já não bastava acordar com o seu “bip” irritante, também tinha que tocar agora…
Com grande custo abro os olhos (tanta luz até cega), não deparei com o prof nem ele me repreendeu… não. É o sol. Tá lá alto, é hora de acordar e pensar em ir trabalhar. Deixo a minha rede e aquele pesadelo e vou pra praia, tá na hora de abrir o bar e deixar os sonhos prós outros…


p.s. sonho dentro de um sonho, o que significa? Nem me interessa saber, apenas quero “o meu sonho”.

1 Comments:

Blogger Monique Mendes said...

Simplesmente BRUTAL!!
Não conhecia essa veia de escritor... não desta forma!
Adorei...apesar do conteúdo do texto! E um dia irás abrir a porta do teu bar e não haverá bip's que te acordem ou mudem de lugar porque será tudo bem real!
beijão :*

11:14 da manhã  

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