terça-feira, dezembro 05, 2006

Prometeu... Abençoada seja a nossa Academia

Abençoada seja a nossa Academia, por tal divindade!
(não pensem que só porque ele está à entrada da nossa academia e por nos sentirmos abençoados por ele, que a vida vai ser fácil...)

Prometeu, titã grego, conhecido em todo o Mundo por ter roubado o fogo divino de Zeus para entregar ao homem (o seu preferido entre todos os animais), para que este se distingui-se de todos os animais com as suas evoluções. Sendo-lhe também atribuida a criação do homem.
Como castigo, de tal ousadia, Zeus ordenou que Hefesto o acorrentasse a um rochedo no topo do monte Cáucaso, onde todos os dias viria uma águia comer-lhe o fígado, sendo ele imortal, seu fígado regenerava-se... (olha lá, alguns de nós bem queriamos que o nosso se regenera-se) Esta punição deveria ter como total 30.000 anos.
Eventualmente, Prometeu, acabou por ser libertado d tal sofrimento por Hércules (para quem não sabe, é filho de Zeus), que havendo concluido suas doze tarefas se dedicou a aventuras. Para assegurar a libertação de Prometeu era necessário que este fose substituido por alguém, submetendo-se atal Quíron o centauro.

Prometeu representa também a vontade humana pelo conhecimento, a captura do fogo é a audácia humana pela busca de conhecimento e de o compartilhar. Tudo isto foi descrito neste poema, intitulado:



"Prometheus"
Encobre o teu céu, Zeus,
Com vapores de nuvens,
E, qual menino que decepa
A flor dos cardos,
Exercita-se em carvalhos e cristas de montes;
Mas a minha Terra
Hás-de me deixar,
E a minha cabana, que não construíste
E o meu lar,
cujo braseiro
Me invejas.

Nada mais pobre conheço
Sob o sol do que vòs, o Deuses!
Pobremente nutris
De tributos de sacrifícios
E hálitos de preces
A vossa majestade,
E morrerías de fome, se não fossem
Crianças e mendigos
Loucos cheios de esperança.

Quando era menino não sabia
Para onde havia de virar-me,
Voltava os olhos desgarrados
Para o Sol, como se lá houvesse
Ouvido para o meu queixume,
Coração como o meu
Que se compadecesse de minha angústia.

Quem me ajudou
Contra a insolência dos Titãs?
Quem me livrou da morte
Da escravidão?
Pois não foste tu que tudo acabaste,
Meu coração em fogo sagrado?
E jovem e bom, enganado
Ardias ao Deus que lá no céu dormia
Tuas graças de salvação?

Eu venerar-te? Por quê?
Aliviaste tu jamais as dores
do oprimido?
Enxugaste jamais as lágrimas
do angustiado?
Pois não me forjaram Homem
O tempo todo-poderoso
E o Destino eterno,
Meus senhores e teus?

Pensavas tu talvez
que eu havia de odiar a vida
E fugir para os desertos,
Lá porque nem todos
Os sonhos em flor frutificaram?

Pois aqui estou! Formando homens
À minha imagem,
Uma estirpe que a mim se assemelhe
Para sofrer, para chorar,
Para gozar e se alegrar,
E para não te respeitar,
Como eu!

(de Johann Wolfgang von Goethe, baseado na tradução de Carlos Bechtinger)

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Porque a luz do conhecimento é preciosa e o caminho para ela tortuoso e trabalhoso, fiquemos por esta academia uns bons anos até saber se valeu a pena ou não a luz que alcançámos.

Fica Bem,
Nélson

5:01 da tarde  

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